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“ Na mão tomou um compasso dourado,
da fábrica eterna de Deus, para circunscrever
O Universo, e todas as coisas criadas:
Uma ponta passou, e a outra girou
À volta da vasta escuridão profunda,
E disse: eis a tua extensão, os teus limites,
Seja esta a tua Circunferência, Ó mundo.”
John Milton, Paraíso Perdido, Livro VII
John Milton descreveu e William Blake desenhou, a formação do Universo por um único movimento rápido do compasso de Deus.
Aguarela de William Blake de 1794
A sobrevivência da sociedade sempre dependeu da manutenção do equílibrio entre as variáveis de população, recursos naturais e meio ambiente. O desprezo dado a este princípio foi desastroso e de consequências fatais para as antigas civilizações. Estamos sujeitos às leis de controlo da sobrevivência, e no entanto, constituímos uma civilização global e pela primeira vez, desde a existência da nossa espécie enfrentamos, simultaneamente, a expansão da população a nível global, a delapidação dos recursos naturais e do meio ambiente.
O longo período da história do homem pensante é marcada por várias questões, sendo uma delas acerca da origem do Universo. Apresentar uma resposta que agrade a “gregos e troianos” está entre os maiores desafios postos na antiguidade aos filósofos e depois à comunidade científica. A origem do Universo é uma das maiores interrogações do homem, e situa-se entre as que mais polémica e desentendimentos tem originado.
Existem dois tipos de resposta a essa intrigante interrogação. Uma explicação é de cariz mítico- religioso e e a outra reveste carácter científico-filosófico. O primeiro grande conflito entre as duas teorias deu-se durante o papado de Urbano VIII, quando o cientista Galilleu Galilei foi condenado à morte na fogueira por heresia, dado não se ter retratado no Tribunal da Inquisição. O cientista é assassinado pelo Igreja de Roma e morre a confirmar a sua teoria, comprovada mais tarde, de que o Sol e não o nosso Planeta é o centro do Universo, até então conhecido.
Actualmente mais de quatrocentos satélites, equipados com os mais modernos equipamentos com instrumentos de verificação do tempo, estudo das zonas litorais, processos polares e marítimos monitorizam constantemente a flora e a atmosfera, mostrando os efeitos da poluição e da erosão. Os dados recolhidos têm um papel fundamental, proporcionando correctas verificações e constatações de padrões geológicos em modificação, aquecimento global e destruição da camada de ozono.
Testemunham a conformação de uma catástrofe ambiental de tamanha magnitude nunca enfrentada pela humanidade. A longo prazo, os resultados dos níveis actuais de consumo, ainda não revelaram com toda a clareza que é necessária, mas devido a essa falta de precisão científica em relação aos seus efeitos , a conclusão previsivel a retirar é que devemos usar o “princípio da precaução” e tomar as decisões correctas para garantir a sobrevivência da nossa e das demais espécies do Planeta.
Se no presente o mundo confronta a crise ecológica, no passado os diversos povos, de muitas etnias, criaram explicações baseadas nas suas tradições místicas e religiosas para a origem do Universo. A cosmogonia chinesa, por exemplo, atribui a origem de todas as coisas a Pan Gu (entidade mítica), que produziu as duas forças complementares ou princípios contrários universais do “yin” e “yang”, que todavia, se harmonizam e abarcam todos os aspectos e fenómenos da vida.
Os chineses acreditam que na combinação dos dois princípios contrários formaram-se os quatro emblemas e os oito trigramas e, no final todos os elementos que constituem o Universo. Segundo a tradição judaica-cristã, o Universo foi criado por Deus Omnipresente, Omnisciente e Onmipotente, que na Sua soberana vontade, determinou quando e como surgiriam todas as coisas. O Livro de Génesis, afirma que todas as coisas (planetas, cometas, plantas, animais e o primeiro casal, Adão e Eva) foram feitos por Deus, em seis dias.
A segunda teoria apresenta a origem do mundo, baseando-se em opiniões filosóficas e estudos científicos. A mais famosa é a teoria do “ Big Bang” (grande explosão), proposta no início do passado século. O padre, astrónomo e físico belga, Abbé Lemaitre, em 1927, apresentou-a, e foi considerada como modelo da comunidade científica em 1965. Um grupo de cientistas liderado pelo físico americano, George Gamow, apresentou na década de 1940, uma versão modificada da teoria e que é a usada presentemente.
O Universo expandiu-se rapidamente a partir de um estado inicial de alta compressão, tendo como resultado, uma significativa redução da densidade e temperatura , segundo George Gamow . Logo após, a matéria passou a predominar sobre a antimatéria e segundos depois, com a possível presença de alguns tipos de partículas elementares, o Universo teria arrefecido , surgindo núcleos de gases, tais como o hélio, lítio e hidrogénio, dando origem aos primeiros átomos, e de seguida deu-se o preenchimento do Universo pela sua expansão. Tudo aconteceu nas primeiras fases da formação do Universo, passando pela constituição das galáxias e sistemas planetários, tendo decorrido até ao presente um período de cerca 15 mil milhões de anos.
Jorge Rodrigues Simão, 14.04.2013
