Existem dois modelos extremos, entre os quais podem encontrar-se múltiplas posições intermédias. O pensamento político de direita, produziu a optimista “Teoria da Modernização Ecológica”, segundo a qual a saída para a crise ecológica seria possível, através da adaptação dos processos de produção e de consumo a critérios ecológicos e a necessidades ambientais; a crença nas possibilidades da ciência e da tecnologia, para melhorar os processos produtivos, desde a perspectiva ambiental, através de uma maior eficiência; a promoção do mercado como o meio mais efectivo para assegurar as respostas, e a flexibilidade necessárias à melhoria do meio ambiente; a percepção de que os movimentos ambientais podem ser incorporados nos processos de tomada de decisões; a fé de que as empresas multinacionais, como promotoras da economia global, actuarão como agentes da mudança e a diminuição da oposição ao movimento de modernização ecológica como impraticável, por falta de apoios e consequentemente, de valor marginal.
A “Teoria da Modernização Ecológica”, entende que o meio ambiente e a economia não se encontram em conflito, uma vez que a protecção ambiental só pode ser assegurada através do desenvolvimento económico. Neste quadro, a função do Estado é de facilitar as condições para que o mercado funcione e de proporcionar as regras e os modelos para a protecção do meio ambiente. Esta perspectiva, naturalmente, é bem aceite pela economia liberal e entre os apoiantes dos sistemas de valores conservadores, que prevalecem no mundo ocidental. No outro extremo, existe a concepção de desenvolvimento sustentável, diametralmente oposta, e que foi formulada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, em 1992, no seu livro “Risk Society: Towards a New Modernity” e conhecida pela “Teoria da Sociedade de Risco”.
Esta tese, defende que existe um conflito irreconciliável entre as procuras da economia e as necessidades ecológicas, vaticinando o controlo autoritário e prevendo a catástrofe, se não forem alteradas as tendências actuais, pelo que a transformação social será necessária, se quisermos assegurar a sobrevivência da espécie humana. É qualificada de utópica e idealista, dado oferecer poucas soluções. Os planeadores urbanísticos podem encontrar-se em qualquer das posições intermédias, entre estes dois pensamentos, em função dos seus valores, de forma que o conceito operativo de desenvolvimento sustentável será o que cada um preferir.
Os defensores da “Teoria da Modernização Ecológica” concebem que um maior desenvolvimento, produzirá no final, um meio ambiente adequado e uma sociedade mais rica. O único problema que se apresenta ao planeamento, é como regular adequadamente a protecção do meio ambiente nos aspectos em que a economia não está limitada. Os planeadores “verde-escuro”, por seu lado, pensam que o desenvolvimento, tal como é entendido actualmente, produz impacto ambiental “per si”, e não terão de dedicar a maior parte dos esforços a tudo planear, mas sim a promover os valores sociais da sustentabilidade.
Entre estes dois pensamentos, encontram-se a maior parte dos planeadores urbanísticos, que não podem ficar à margem da tensão existente entre o desenvolvimento e a conservação do meio ambiente. Em definitivo, os responsáveis políticos serão os que determinarão o equilíbrio entre a protecção e o desenvolvimento, e será necessário o estabelecimento de parâmetros, que limitem o significado concreto em cada nível do planeamento. É necessário, pois, reformularem-se os modelos de organização e desenvolvimento das cidades contemporâneas se pretendemos reflectir e encontrar soluções para a actual situação do estado da cidade.
É preciso reinventar a cidade, para a tornar mais habitável e que a população volte a sentir-se parte integrante, porque é agradavelmente habitável. Ademais, a cidade deve ser sustentável, de forma que a sua gestão não só deve dirigir-se a melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes, mas deve contribuir na medida das suas possibilidades, para potenciar o novo paradigma do desenvolvimento sustentável.
Em boa parte, os problemas sociais e ambientais actuais são o resultado de um tratamento sectorial do urbanismo dominante durante o pós-guerra, de raiz funcionalista e tecnocrática, e com frequência subjugado aos interesses do mercado imobiliário. O ordenamento urbano, desta forma, obedecia a uma especialização do solo segundo usos determinados (de residência de diferentes categorias sociais, industriais, de serviços centralizados). Esta forma de entender o urbanismo dificultou a projecção social do espaço urbano, além de ser socialmente injusta.
É geradora de problemas sociais e ambientais como a desvinculação ao meio, longas deslocações entre o local de trabalho e o de residência, tráfego intenso, poluição sonora e atmosférica ou falta de estacionamento, entre muitos. A separação das instalações industriais nas cidades, ainda que tivesse uma intenção preventiva e sanitária ao impedir que a população sofresse os inconvenientes ambientais dessas instalações, passou com o decorrer do tempo, uma vez realizada a expansão da superfície urbana, a ser uma problemática adicional.
O ordenamento territorial urbano, no futuro, terá de considerar todos estes problemas e integrar, também, as políticas sectoriais que as administrações locais, estatais e regionais têm estabelecidas para a redução da poluição do ar, das águas, a produção de resíduos ou o problema do ruído, entre outros aspectos. Assim, deve-se entender que a vida humana sustentável no planeta não é possível de se realizar, sem comunidades locais sustentáveis. As cidades têm um papel decisivo no processo de mudança de estilos de vida, da produção e consumo e dos modelos de organização.
